Vintage
Na revista do Expresso da semana passada vinha um artigo sobre geleiras. São tão importantes na conservação de comida e bebida frescas que algumas, bem antigas, até se encontram expostas em museus.
Apesar da conservação no gelo datar de há mais de dois mil anos, as geleiras, do género a que agora estamos habituados, apareceram no início do séc. XIX, quando um agricultor americano desenvolveu um recipiente para transportar manteiga. A conservação do frio dessa geleira inicial era feita com gelo, madeira, lã e pele de coelho.
Comercialmente, as primeiras geleiras foram desenvolvidas pela Igloo, com caixas metálicas para que os trabalhadores dos campos petrolíferos pudessem ter água fresca. Rapidamente começaram a ser cobiçadas por outros trabalhadores e passaram a ser vistas em momentos de lazer, desporto e campismo. Hoje em dia já há geleiras que se ligam à electricidade e ao isqueiro do carro e até existem marcas que lhe acoplaram um painel solar. Modernices.
Quando ainda não era moda levar o almoço para o trabalho, já a geleira da foto me acompanhava diariamente com almoço para dois, fruta e lanches porque após anos a almoçar em restaurantes, já não havia pachorra para tanto 'arroz com feijão'.
Não se pode dizer que a minha geleira seja discreta e efectivamente chamava a atenção, até porque naquela altura as pessoas preferiam envergonhadamente comer um rissol e um café do que levarem almoço para o trabalho, não fossem os colegas pensar que eram pobres.
Havia colegas que, jocosamente, perguntavam o que levava lá dentro, ao que eu costumava responder que eram órgãos para transplante. Anos mais tarde é vê-los com as suas lancheirinhas.


