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Belita, a Rainha dos Couratos

Blogue de receitas flexitarianas (carne, peixe e assim-assim)

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Ter | 26.09.23

riscos


«Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.»

 

Tenho uma aplicação no telemóvel chamada "PlantNet" e que me serve para saber o nome de uma planta, flor ou fruto que desconheço. Basta fotografar e submeter a fotografia nessa aplicação( 'app' para o pessoal mais 'cool') e logo aparece o nome científico e milhentas outras entradas que outras pessoas que usam a aplicação também lá pesquisaram.

Quando comecei a ir de férias para a Galiza, e isso já acontece há bastantes anos, tantos que os posso contar em décadas, descobri uma praiazinha pequena a que, por ter acesso um pouco complicado e normalmente estar deserta, chamo a minha praia; já lá estive bastantes vezes em Setembro que é o meu mês favorito mas nunca tinha reparado nuns arbustos que este ano se encontravam carregadinhos de umas bagas pequenas vermelhas e embora a maioria destas plantas estivesse alojada no meio de tojos e silvas, o que tornava impossível o acesso (pelo menos de calções e chinelos), algumas estavam na beira e consegui apanhar as bagas. Coloquei logo o PlantNet em acção porque bagas vermelhas, enfim, toda a gente sabe que a maioria não é comestível...

Quando fotografei o resultado veio logo: Crataegus monogyna

Pesquisei mais e fiquei a saber que o nome comum é Pilriteiro ou Espinheiro-alvar, que existe há milhentos anos, principalmente na Europa, Ásia e América do Norte, que inicialmente era associado ao Diabo por causa da cor das bagas mas posteriormente passou a ser usado contra o mau olhado, para ajudar à felicidade e que os seus ramos teriam até sido usados para fazer a coroa de espinhos que Cristo usou no Calvário; depois foi ver se era comestivel, se era bom para a saúde, se valia a pena arranhar-me toda para apanhar uns quantos (é que o nome 'espinheiro' tem que se lhe diga...) e se se iam aguentar até chegar a casa, daí a uns dias. Para todas estas questões um redondo SIM!

E o que fiz com as bagas perguntam vocês? Fiz geleia já que comê-las ao natural não se revelou a melhor opção, são ácidas e adstringentes e têm um caroço que, esse sim, pode ser tóxico já que o pilriteiro é da mesma família das roseiras, pereiras, macieiras e amendoeiras e as sementes destes frutos também têm o mesmo componente que em grandes quantidades é perigoso ou mesmo letal (alguém já ouviu falar de cianeto? Estamos entendido então...).

Segundo os estudiosos, os benefícios do Espinheiro-alvar são inúmeros, principalmente para o coração. Dizem até que esta planta cuida do coração por dentro e por fora: por um lado melhora a circulação, usado em casos de angina de peito, arritmias, taquicardias e arteriosclerose, entre outros; por outro pode ajudar a curar um coração partido já que tem substâncias que podem aliviar sintomas de depressão e ansiedade.

Fiquei fã e depois das algas que colhi na 'minha' praia, os pilritos são outra das razões para lá voltar.

 

Geleia de Pilritos

 

20230913_130932-COLLAGE.jpg

 

500 grs de pilritos

1 maçã verde

Água

Áçúcar

 

Depois de bem lavados cobrir os pilritos com água e misturar uma maçã ácida cortada em quartos. Cozer por meia hora esmagando as bagas com um garfo. Deixar arrefecer e coar o líquido obtido.

Para fazer a geleia, por cada 600 ml de líquido adicionar 350 grs de açúcar e uma colher de sopa de sumo de limão. Levar ao lume e deixar fervilhar até obter o ponto desejado. Deitar em frascos esterilizados e tapar de imediato.

 

Nota: acrescentei a maçã porque estava caída e ainda um bocado verde para comer mas como as maçãs verdes têm bastante pectina decidi usar para ajudar a criar o ponto à geleia