Que pinta!
Vocês também costumam ficar a cismar nas novidades que provam em restaurantes e depois têm que as reproduzir em casa? Eu sem dúvida que sim. Até porque no restaurante aquele momento parece tão efémero que muitas vezes não percebemos bem se o que comemos era mesmo bom ou estamos a efabular toda a experiência. Mas estejam à vontade se nada disto se passa convosco, eu sei que comida e eu... está tudo dito nas 3033 publicações que já fiz no blogue.
A última fixação aconteceu nas férias deste verão, na minha Galiza do coração. Comi pela primeira vez croquetes de choco com tinta. E nem sequer foi por ter visto no menu, foi mesmo porque vi passar um prato com uns rolos meio escuros e, ainda sem saber o que eram pensei, que se lixe, se não prestar é só uma vez.
Mas prestavam. Oh se prestavam. E não descansei enquanto não encontrei uma receita que a) não fosse complicada; b) não fosse complicada!
Cá está ela e deixem-me dizer-vos, adoro estes croquetes (atenção aos dentes, são capazes de ficar um bocadinho escuros
)
Quanto à tinta do choco, vende-se em saquetas e embora tenha comprado na Mercadona de Tui (Espanha), já vi na de Ovar pelo que imagino que deva haver em todas. A embalagem tem oito saquetas com 4 grs cada e custou à volta de dois euros.
Croquetes de Choco (e tinta)

2 colheres de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de azeite
1 cebola
350 grs de choco limpo
Sal q.b.
140 grs de farinha
1 litro de leite
2 saquetas de tinta de choco
Noz-moscada q.b.
Pimenta preta moída q.b.
Farinha de milho, ovo batido e pão ralado para panar
Óleo de girassol para fritar
Numa caçarola aquecer a manteiga e duas colheres de sopa de azeite e alourar a cebola. Entretanto cortar o choco em bocadinhos e adicionar à cebola amolecida. Mexer, temperar com sal e deixar refogar o choco, dez minutos são suficientes.
Transferir a mistura de cebola e choco para a picadora e triturar. Podemos triturar até ficar tipo puré ou deixar bocadinhos muito pequeninos do choco, foi o que fiz.
Colocar a restante colher de sopa de azeite na caçarola, aquecer e juntar o choco triturado. Misturar a farinha e deixar refogar mexendo sempre para não queimar. Começar a adicionar o leite aos poucos mexendo sempre com uma vara de arames para fazer o béchamel até usar todo o leite.
Temperar com noz-moscada e pimenta preta e verificar se está bom de sal. Incorporar a tinta do choco na mistura e mexer sempre até que fique bastante espesso. Este processo de fazer o molho bechamel demora cerca de quinze minutos, convém mexer sempre para que não pegue ao fundo.
Tranferir o molho negro para um recipiente (de preferência de vidro) e cobrir com película aderente encostada ao molho para que não crie uma capa rija. Levar ao frigorífico por umas horas (eu deixei cerca de seis horas).
Preparar a linha de montagem para panar os croquetes, calçar umas luvas (ou não e, como eu, ficam com as mãos NEGRAS!) e comecar a formar os croquetes. Fiz alguns no formato tradicional e outros redondos. Passar por farinha, ovo e pão ralado e fritar em óleo bem quente numa caçarola pequena, de modo a fritar apenas quatro ou cinco de cada vez, é mais prático.
Passar os croquetes fritos para um prato com papel absorvente e quando estiverem todos prontos, servir como petisco ou prato principal, com acompanhamento a gosto.
Esta receita deu cerca de trinta croquetes, fritei metade e congelei os restantes para fritar mais tarde.
